Eu me lembro de estar caminhando pela neve em busca de alimento quando senti cair aos meus pés um floco de neve. Esse ínfimo floco foi o suficiente para prender o meu pé ao chão.
Comecei a sentir-me aflita, pois em meio àquela alvura, nenhuma criatura parecia existir, senão eu.
Eu sabia que logo morreria de frio e fome.
O que me veio à cabeça foi olhar para o quase invisível sol que me espiava lá do alto. Suplicante, lhe falei:
- Ó sol, tu que és tão forte, derrete a neve e desprende o meu pezinho!
O sol, indiferente, apenas respondeu:
- Mais forte do que eu é o muro que me tapa.
Olhei para o muro à minha frente e pedi:
- Ó muro, tu que és tão forte, que tapas o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho!
O muro, sempre tão calado, disse apenas:
- Mais forte do que eu é o rato que me rói.
Voltei-me para um ratinho que passava rápido por mim e implorei:
- Ó rato, tu que és tão forte, que róis o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho!
Mas o ratinho, correndo do frio, gritou ao longe:
- Mais forte do que eu é o gato que me come.
Eu já sentia-me cansada, mas gritei para o gato:
- Ó gato, tu que és tão forte, que comes o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho!
O gato, preguiçoso, bocejou:
- Mais forte do que eu é o cão que me persegue.
Chorando, pedi ao cão:
- Ó cão, tu que és tão forte, que persegues o gato que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho!
O cão, que corria atrás de sua caça, respondeu sem parar:
- Mais forte do que eu é o homem que me bate.
Quase sem forças e tiritando de frio, implorei ao homem:
- Ó homem, tu que és tão forte, que bates no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho!
O homem parecia nem me ver, mas respondeu:
- Mais forte do que eu é a morte que me mata.
Senti medo da morte que se aproximava, mas pedi-lhe:
- Ó morte, tu que és tão forte, que matas o homem que bate no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho!
A morte, impassível, respondeu:
- Mais forte do que eu é Deus que me governa.
Sentindo minhas forças acabarem-se, olhei para o céu e murmurei:
- Deus, tu que és tão forte, que governas a morte que mata o homem que bate no cão que persegue o gato que come o rato que rói o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende o meu pezinho!
E Deus ouviu minhas preces. Ordenou que se fizesse primavera e, no mesmo instante, os campos e caminhos encheram-se de luz e flores. Então ele tomou-me em suas mãos e levou-me para um lindo reino onde não há inverno e o sol sempre brilha!
Meu nome é formiguinha.
Das histórias que li
Cada vida que vivi e cada morte que me levou cabem neste lugar.
terça-feira, 15 de julho de 2014
O começo de tudo
As histórias estão em toda parte, mas são principalmente nos livros que elas criam raízes.
Quem lê sabe como é viajar sem sair do lugar. Que sensação maravilhosa!
Me lembro vagamente de minha iniciação à leitura. O que importa é que, desde que comecei, não tive vontade de parar.
E venho sofrendo, amando, vivendo e morrendo com cada personagem que passou por minha vida.
Essas são as histórias que li: são resumos de livros dos quais eu fiz parte e queria que nunca tivessem chegado ao fim.
Seja bem-vindo.
Quem lê sabe como é viajar sem sair do lugar. Que sensação maravilhosa!
Me lembro vagamente de minha iniciação à leitura. O que importa é que, desde que comecei, não tive vontade de parar.
E venho sofrendo, amando, vivendo e morrendo com cada personagem que passou por minha vida.
Essas são as histórias que li: são resumos de livros dos quais eu fiz parte e queria que nunca tivessem chegado ao fim.
Seja bem-vindo.
"Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem." - Mário Quintana
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